domingo, 8 de março de 2015

Homenagem ao Dia Internacional da Mulher - Entrevista Larissa Dias

No dia Internacional da Mulher, nós do Brasil Fora de Estrada, em forma de homenagem iniciamos uma série de entrevistas com mulheres que dão um toque especial no fora de estrada.  Nossa primeira entrevistada foi, Larissa Dias. Proprietária de um jipe Troller e apaixonada por trilhas nos relatou um pouco de como tudo começou e como se sente fazendo parte dessa grande família. Entrevista muito animada que contou com momentos de muita emoção. Acompanhe na íntegra a entrevista com essa alucinada por trilhas...


BFE: Quando começou andar de jipe?

Larissa Dias: Meu pai (Luiz Carlos) e meu tio (Marcelo Dias) sempre andaram de Jipe, desde 1997, mas naquela época eu só podia ir junto quando era passeio. Lama e barro, estavam sempre fora de cogitação para mim (risos). Meu irmão (Bruno) e meu primo (Guilherme) sempre iam e eu ficava chorando, sem entender o porquê da diferença (risos).


BFE: Teve influência de alguém quando começou?

Larissa Dias: Quando decidi que esse esporte me fazia bem e me causava sensações nunca antes sentidas, perguntei ao meu tio o que ele achava e se me ajudaria. Ele respondeu: “compra, se não gostar, vende! Eu estarei sempre ao seu lado”, mas ele já sabia que jamais venderia e tinha certeza que seria uma doida com um brinquedo novo.


BFE: Quando adquiriu o primeiro jipe? Qual foi?

Larissa Dias: Maio de 2014, um Troller. Meu Baby Yellow.


BFE: Quais tipos de trilha e passeios gosta de fazer?

Larissa Dias: Tudo, todo tipo. Passeio, trilhas, competições, estando entre amigos é o que importa.

BFE: Participa de algum grupo de offroad?

Larissa Dias: Sou Elite da Lama, faca na caveira, ou seria, pá na caveira? (risos). Mas Brasil Fora de Estrada (BFE) me recebeu com os braços abertos, assim como recebe todos os amantes e loucos por 4x4. Galera gente finíssima, amigos, parceiros e mestres.


BFE: Quais lugares e quantas pessoas (alguém ou algum grupo que marcou) você conheceu devido ao jipe?

Larissa Dias: Já conheci alguns lugares tops, como nordeste, mas também já conheci lugares e pessoas que me fizeram ver que sou privilegiada e abençoada por ter a vida que tenho. Já fizemos algumas ações de caridade como dia das crianças e natal. Fazer parte de um grupo, que além da diversão, se interessa também em ajudar ao próximo me traz um sentimento de união, e me faz crer que escolhi o esporte certo.


BFE: Qual a viagem mais longa que já fez?

Larissa Dias: No Final do ano passado, fizemos uma viagem que se chamava: “Expedição Verão Fora de Estrada 14/15 – SP a PE“, onde andamos cerca de 2.400 Km até Maceió em 3 dias dirigindo por estradas de mão única, com milhares de caminhões indo e vindo. Mas ao chegar a Maceió, a recompensa foi deliciosa: praia lindas, lugares incríveis, histórias e risadas inesquecíveis. Foi uma experiencia única na minha vida, me trouxe uma gratificação pessoal enorme, além de aproximar pessoas que eu amo e que me mostraram o quão importante e forte sou.


BFE: Qual o lugar que o jipe pode te levar, mais bonito que já conheceu?

Larissa Dias: São muitos, mas tem um que particularmente é meu “xodozinho”. Chama-se Pedra Rachada e fica na estrada da Cantareira, muito próxima de onde eu moro. Foi lá perto que eu fiz minha primeira trilha (Javan) com o meu Jipe e depois a equipe subiu até a Pedra para fazer um churrasco. O visual é incrível, a pouquíssimos quilômetros de SP e com um pôr do sol de outro mundo, mas só é possivel chegar com carros 4x4.

BFE: Quem é ou quais são os seus padrinhos nas trilhas?

Larissa Dias: Não os chamaria de padrinhos, mas mestres: papai ( Luiz Carlos) e titio (Marcelo Dias, conhecido como Marcelão, risos). É neles que me espelho e tento sempre me superar e surpreender, são dois mestres na arte offroad das antigas, parcerias indescritíveis, mais que laço de família (nessa hora eu choro, risos).


BFE: Qual relação você tem com os amigos e conhecidos nas trilhas e viagens?

Larissa Dias: Alguns se tornaram familia, outros bons amigos de trilha, mas conhecer novas pessoas, além de trazerem experiências que valem a pena, são divertidas e com alto astral. Hoje tenho uma rede de amigos ligadas ao 4x4 muito grande, os quais são além de trilha/lama, amigos de vida, pessoas que me querem ao lado pelo simples fato de ser quem eu sou. Hoje posso falar que tenho uns 8 pais, umas 8 mães, uns 28 irmãos, tias, tios e primos (risos).

BFE: Qual o seu maior “sonho” ou desejo relacionado ao fora de estrada?

Larissa Dias: Todos queremos fazer história e ser reconhecidos por aquilo que mais gostamos de fazer. Comigo não é diferente, não queria o jipe somente como hobby, mas como um negócio. Organizando trilhas, passeios, não sei, são muitas idéias. Mas sei que tenho um caminho enorme pela frente, principalmente para motivar mulheres que acham que não podem ou que não serão bem vistas. Estas podem sim fazer o que tem vontade, só depende de nós.

BFE: Onde é seu lugar preferido para estar com os amigos?

Larissa DiasCom certeza, fora de estrada. Até os amigos que não são do meio offroad, tento levar comigo. Muitas vezes, amigas brigam porque só penso em trilha, lama, etc. Elas não entendem por que eu prefiro estar suja e passando frio, a estar em uma balada, ou até mesmo em um shopping comprando sapatos e bolsas.


BFE: Por que o offroad como hobby?

Larissa Dias: Porque está no sangue. Adrenalida injetada a cada atoleiro, em cada obstáculo e em cada dia. Também porque é onde eu gosto de estar, onde tenho amigos que são além da lama.

BFE: Quando o fora de estrada está presente em sua vida?

Larissa Dias: Todos os dias. Como eu tenho o troller para a trilha e para o dia a dia, vivo esta emoção diariamente. Se tornou minha caracteristica. Hoje vivo isso, quando não estou trabalhando ou em casa, estou em algum canto com alguém do grupo, seja fora de estrada, seja na praia, em viagens, em aniversários, em evento ou em festas. Enfim, eu vivo isso.

BFE: Como se sente ao dirigir o seu jipe?

Larissa DiasComo descrever uma sensação totalmente diferente de tudo que já vi?! É inexplicável, surreal. Além do fato da conquista e do sonho que sempre tive, estar com meu jipe é viver experiências diversas: já fui abordada em um farol, por um senhor que entregava planfetos, o qual me perguntou se o carro era meu, se eu dirigia, se eu fazia trilha, e ao final ele me falou: “ Parabéns, você é muito corajosa”,  pessoas tirando foto do meu carro pelo retrovisor, centenas (sem modéstia) de pescoços torcendo para me ver passando.
Como eu me sinto? A super mulher (risos).


BFE: Qual a sensação de estar dirigindo o seu jipe em um meio onde a maioria dos pilotos são homens?

Larissa Dias: Chegamos a melhor pergunta da entrevista (risos). Não sei se é uma sensação, ou um autoreconhecimento. Pode ser que tenha a ver com o tempo em que meu pai e meu tio não permitiam que eu fosse às trilhas por ser mulher e por ser um “mundo de homens”. Hoje eu provo que isso é errado e do passado. Apesar de alguns me tratarem como “mulherzinha”, como se fosse menos capaz e mais frágil, todos me respeitam e me tratam de igual para igual. Em pleno seculo XXI não existem mais rótulos de homem ou mulher, azul ou rosa. Só sei que no meio em que vivo e no esporte que pratico, estou ajudando a acabar com esse preconceito.


BFE: Qual a melhor frase que te define no fora de estrada?

Larissa Dias: “Muitos daqueles que te chamam de louca, sonham em ter a tua coragem”
“Seja feliz, e se não conseguir ser feliz, faça coisas que te deixe feliz.”


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