quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O Maior Viajante do Mundo - Desde 1988 na Estrada

Nesses tempos de internet, blogs de viagem, Instagram e programas televisivos, ler a história de alguém que se afasta disso e que tem muita coisa para contar é muito legal. O amigo Paulo Nacarato nos apresentou para essa história à alguns dias e resolvi contar aqui.


Tudo começou em dezembro de 1988, quando o alemão Gunther Holtorf com seus 51 anos resolveu abandonar sua carreira na Lufthansa e comprar um carro para viajar. O carro escolhido foi um Mercedes Classe G azul céu e o destino a África. Até ai nada de muito diferente. O que se sucedeu depois foi o que marcou a vida dele para sempre.

A viagem para a África deveria durar um ano e meio ou dois, mas após cinco anos rodando pelo continente africano, Gunther realizou que tinha muito mais para ver. Acompanhado de sua esposa, eles decidiram atravessar o Atlântico e conhecer a América do Sul. Depois foram para o Panamá, América Central, Estados Unidos, Canadá, Alasca e não pararam mais. Resolveram continuar e continuaram por 26 anos – não mais sua esposa, que faleceu em 2008.


Desses 26 anos, pouco tempo foi gasto na cidade natal de Gunther. A maioria foi na estrada mesmo.  Após 890.000km percorridos e ter conhecido todos os quatro cantos do mundo, parece que a viagem chegou ao fim.

Tudo foi feito sem ser muito pensado. O gasto com a viagem não foi muito grande exatamente por não seguir os padrões normais. Com um orçamento de cerca de 800 euros por mês, eles passaram longe de restaurantes e hotéis. Dormiam dentro do carro e comiam o que cozinhavam. Viveram, como diz o senhor Holtorf, atrás da cortina.

Esse estilo de vida seguiu a escolha de nunca buscar um patrocínio para a aventura. Ele próprio financiou a viagem com o que tinha guardado dos tempos de diretor. Patrocinadores até o procuraram, mas a escolha de não adesivar o carro e não ter que dar satisfação para ninguem foi maior que o dinheiro.


Passaportes são muitos. Viajando com 5 passaportes válidos quase cheios e outros 15 já vencidos, cada estampa é uma lembrança para Gunther.

Claro que dormir no carro e cozinhar sua própria comida podem ser vistos como complicadores, mas isso depende da pessoa. Gunther acredita que isso ajuda na flexibilidade dele. Ele está sempre pronto para dormir em condições extremas de calor ou frio, e nunca come comida enlatada, sempre cozinha comida de verdade. O carro foi preparado para isso.

O carro por sinal é um dos principais agentes dessa aventura. Chamado por Gunther de Otto e rodando desde 1988, ele foi um verdadeiro guerreiro. Nunca teve sua caixa de direção e caixa de transmissão abertas nem trocadas. Leva os mesmos eixos e mesmos diferenciais de fábrica. Dos 890.000km, cerca de 200.000km foram feitos em fora de estrada. Isso chamou a atenção da Mercedes, que irá dar um fim justo ao veículo, expor Otto em um museu da marca em Stuttgart.


O senhor Holtorf não leva nenhum eletrônico com ele. Até suas câmeras fotográficas são duas antigas Leicas de filme. Ele não ve razão em ter um blog ou páginas no facebook ou Twitter. Ele faz isso somente por ele, como um comprometimento pessoal. Porém, gostaria que o Otto fosse lembrado.

Gunther nunca foi assaltado e nunca pagou propina. O segredo segundo ele é ter muita paciência, ter os documentos em ordem e mostrar por todos os pontos que ele já passou. Além de ser um bom observador.


Ele não se considerar um viciado na estrada, ele gosta da sua casa na Alemanha, mas também gosta de viajar para aonde outras pessoas não vão. O plano inicial era realmente uma viagem a África, mas quanto mais viajava, mais realizava que conhecia muito pouco. Ele diz que quanto mais você experimenta novas culturas, mais voce quer continuar experimentando e conhecendo.

O senhor Holtorf não se arrepende de nenhum lugar que passou. Seus preferidos foram a África selvagem -  não um pais específico, mas ficar com os animais - Chile, Bolívia e Brasil, Austrália e Nova Zelândia.

Gunther não se importa em ser reconhecido como o maior viajante do mundo, faz isso somente por si. Gostaria sim que Otto fosse reconhecido o carro mais viajado do mundo. O exemplo que ele gostaria de deixar é o das pessoas olharem atrás da cortina. Não se apegar a somente ao que você lê e escuta na internet e na televisão, mas ter uma verdadeira experiência. Ver o que é real em cada lugar que você conhecer. Dessa forma, as pessoas iriam ter um melhor intendimento do mundo e de outras culturas.


Um exemplo de vida desses é de deixar qualquer um pensando o que realmente importa nas nossas vidas. Bora para a estrada?

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